Divisão de bens, guarda dos filhos e pensão — entenda seus direitos antes de tomar qualquer decisão
Chega um momento em que a separação deixa de ser uma possibilidade e se torna uma decisão. E junto com ela vem dúvidas: o que vai ser dos bens que a gente construiu juntos? Como dividir o cuidado com os filhos? Vou conseguir me sustentar?
Esses medos são legítimos. Mas muita gente acaba tomando decisões erradas exatamente por não saber o que a lei garante. Aceita um acordo ruim. Abre mão de bens por pressão. Sai de casa sem planejamento. E essas decisões, tomadas na hora errada, podem ser muito difíceis de reverter.
Neste artigo, você vai entender como funciona a dissolução da união estável na prática que você chegue a qualquer negociação sabendo exatamente o que é seu por direito.
A união estável tem os mesmos direitos do casamento?
Para quase tudo que importa na separação: sim. A Constituição Federal reconhece a união estável como entidade familiar, e o Código Civil garante os mesmos direitos em relação à divisão de bens, guarda dos filhos e alimentos.
Não importa se vocês nunca foram ao cartório. O que importa é se havia convivência pública, contínua e com a intenção de formar uma família. Se sim, você tem direitos e eles precisam ser respeitados.
Quem fica com os bens e como funciona a divisão?
Na ausência de um contrato escrito entre o casal, vale o regime da comunhão parcial de bens. A regra é simples: tudo que foi adquirido durante a união pertence aos dois, em partes iguais, independentemente de quem pagou ou em cujo nome está registrado.
Veja os cenários mais comuns com números reais:
Situação-base hipotética
Casal em união estável há 8 anos. Sem contrato de convivência. Patrimônio construído durante a relação:
Como fica a divisão:
O fato de o apartamento e o carro estarem no nome dele não muda nada. O que importa é quando foram comprados: e esses bens foram comprados durante a união.
Exemplo:
Ana e Ricardo viveram juntos por 9 anos. Ele comprou um apartamento só no nome dele, dizendo ser o único provedor. Após a separação, o juiz reconheceu o direito de Ana à metade do imóvel — porque ele foi adquirido no período em que os dois estavam juntos.
O que não entra na partilha:
E se ele tentar esconder bens ou pressionar por um acordo rápido?
Isso acontece com muito mais frequência do que as pessoas imaginam. Transferência de bens para parentes, esvaziamento de contas, ameaças de “você vai sair sem nada”, tudo isso tem resposta jurídica.
Quando há risco de o patrimônio ser dilapidado antes da partilha, é possível pedir ao juiz uma tutela de urgência — uma medida que bloqueia os bens imediatamente, antes mesmo de a ação principal começar. O juiz pode agir em questão de dias.
Exemplo:
E sobre a guarda dos filhos?
Esse é o medo mais profundo que existe numa separação. E também um dos mais distorcidos.
A lei é clara: a guarda não é decidida com base em quem ganha mais. O juiz analisa o vínculo afetivo, a rotina de cuidados, a estabilidade emocional e o ambiente em que a criança vive. Quem estava presente no dia a dia — nas consultas médicas, na escola, nas refeições, no cuidado diário — tem peso muito maior nessa decisão do que o saldo na conta bancária.
Exemplo:
Na maioria dos casos, o juiz determina a guarda compartilhada: os dois continuam participando das decisões importantes da vida do filho, e a pensão equilibra a diferença de renda entre os lares. Já a convivência, é um direito de ambos, de modo que, aquele que não residir com as crianças tem por lei, assegurado o direito de convívio.
Como funciona o processo de dissolução de união estável na prática?
Existem dois caminhos para formalizar a dissolução:
O processo judicial não precisa ser uma guerra. Na maioria dos casos, com um advogado especialista, chega-se a um acordo antes de qualquer audiência.
Conclusão
Desfazer uma união estável não precisa significar renunciar ao que você construiu. A lei protege quem não tinha o controle financeiro da relação, quem cuidou da casa e dos filhos, quem contribuiu de outras formas que não aparecem em extrato bancário.
O maior risco está em tomar decisões sem entender o que ela garante. Assinar algo rápido para “resolver logo”, sair de casa sem planejamento, aceitar uma proposta injusta por medo: essas são as situações que realmente podem comprometer seu futuro.
Cada caso tem suas particularidades: quanto tempo durou a união, quais bens foram acumulados, se há filhos, se existe risco financeiro imediato. A melhor coisa que você pode fazer agora é conversar com um advogado especialista antes de tomar qualquer decisão.
A decisão tomada hoje, com as informações certas, pode proteger tudo que você construiu ao longo de anos.
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Fabiana Mendes Advocacia é um escritório especialista em direito de família, com atuação em dissolução de união estável, partilha de bens, guarda e pensão, com ampla experiência na defesa dos direitos patrimoniais e familiares.
O escritório está localizado no centro de Curitiba, no edifício Centro Comercial Itália, com fácil localização, diversas opções de estacionamento e atendimento personalizado.
Fabiana Mendes é a advogada responsável pelo escritório e possui mais de 14 anos de experiência, é especialista em Direito de Família e Sucessões, com foco em separações, partilha de bens e planejamento patrimonial e sucessório.
Atuando on-line para todo o Brasil, através do processo eletrônico e por meio de consultas por vídeo chamadas, auxilia a transpor situações que envolvem separações, disputas patrimoniais e reorganização familiar.









